Aconteceu num dia comum, de uma semana comum, de uma manhã excepcional.
Começou como início de episódio de Lost, com uma luz incrível e com honras de
cena programada por diretor de fotografia. O sol fazia as sardas dela se
destacarem e sumirem ao mesmo tempo, sua boca estava tão vermelha e macia como
eu jamais soube e de algum jeito sempre lembrei, mas toda a magia estava nos
olhos. Eu acordei e aqueles oceanos escuros me absorveram ao precipício de êxtase
e paraíso que sempre foi a minha vida depois de conhece-la. Os olhos dela eram
como precipícios e eu sempre fui suicida, por amor as causas perdidas e amores
achados. Começou com um beijo curto no pescoço e pequenas deslizadas, numa
mistura de bochechas e a boca sem a língua, até a lateral das minhas axilas.
Ela evitada os meus peitos e meu corpo inteiro parecia pesar como uma pena.
Colorida. Vermelha. Dourada. Eu não via mais as cores, eu não enxergava mais
nada, não havia mais nada. Meu corpo se movia involuntariamente e fazia
contrações que eu não poderia descrever. Ela sorria pra mim e franzia as
sobrancelhas ao mesmo tempo. Era lindo, mas eu estava enlouquecendo. Alguns
arranhões na lateral do meu quadril e uns beijos com a língua bem molhada nos
meus mamilos, umas mordidas até. Eu podia sentir a coxa direita dela no meio
das minhas e ao menor afastamento o seu joelho encharcava- se de mim. Um
movimento rápido depois e a mão dela escorregou sobre minha barriga na altura
do umbigo, acompanhado da boca e depois desceu. Acho que ela me olhava, mas não
tinha certeza. Até que eu senti uma vez, duas, três. Ela encaixava a boca
inteira e arrastava levemente a língua bem no meio das carnes, onde tudo que
foi sólido, já era líquido. Minha coluna formava um ângulo incrível e não saia
som nenhum da minha boca. Todo meu corpo estava concentrado em fazer o momento
ser eterno e morrer dele.
Era tudo muito lento e rápido ao mesmo tempo, ditado pela
velocidade do meu pulso e respiração, se é que eu respirava. Não me lembro.
Tento parecer no controle agora, mas ela me possuía com uma força incrível,
apesar de nunca ter me sentido mais livre na vida. Eu sentia alguma coisa me
preencher, mas nunca poderia precisar se entrava pela buceta ou coração. Me
sentia infinito e parecia que tudo que era e éramos e fomos tinha se diluído e
sido incorporado na viscosidade dos meus fluídos. Ela entrava mais fundo e com
a língua quente que nunca pedia descanso, apesar de a essa altura eu implorar
por ele. Todos os meus órgãos pareciam estar em fogo junto com a língua dela, e
esta, nunca parava. Até que aconteceu.
Foi forte e fez tremer até a última das minhas células. Todo
o mundo fazia silêncio e ria e amava. Era tudo tão feliz e cheio de tudo mas
vazio dele ao mesmo tempo, como naqueles desejos de Réveillon.
Foi quando acordei.
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