domingo, 5 de janeiro de 2014

Sobre a saudade do que é e os sonhos que não são.


Aconteceu num dia comum, de uma semana comum, de uma manhã excepcional. Começou como início de episódio de Lost, com uma luz incrível e com honras de cena programada por diretor de fotografia. O sol fazia as sardas dela se destacarem e sumirem ao mesmo tempo, sua boca estava tão vermelha e macia como eu jamais soube e de algum jeito sempre lembrei, mas toda a magia estava nos olhos. Eu acordei e aqueles oceanos escuros me absorveram ao precipício de êxtase e paraíso que sempre foi a minha vida depois de conhece-la. Os olhos dela eram como precipícios e eu sempre fui suicida, por amor as causas perdidas e amores achados. Começou com um beijo curto no pescoço e pequenas deslizadas, numa mistura de bochechas e a boca sem a língua, até a lateral das minhas axilas. Ela evitada os meus peitos e meu corpo inteiro parecia pesar como uma pena. Colorida. Vermelha. Dourada. Eu não via mais as cores, eu não enxergava mais nada, não havia mais nada. Meu corpo se movia involuntariamente e fazia contrações que eu não poderia descrever. Ela sorria pra mim e franzia as sobrancelhas ao mesmo tempo. Era lindo, mas eu estava enlouquecendo. Alguns arranhões na lateral do meu quadril e uns beijos com a língua bem molhada nos meus mamilos, umas mordidas até. Eu podia sentir a coxa direita dela no meio das minhas e ao menor afastamento o seu joelho encharcava- se de mim. Um movimento rápido depois e a mão dela escorregou sobre minha barriga na altura do umbigo, acompanhado da boca e depois desceu. Acho que ela me olhava, mas não tinha certeza. Até que eu senti uma vez, duas, três. Ela encaixava a boca inteira e arrastava levemente a língua bem no meio das carnes, onde tudo que foi sólido, já era líquido. Minha coluna formava um ângulo incrível e não saia som nenhum da minha boca. Todo meu corpo estava concentrado em fazer o momento ser eterno e morrer dele.

Era tudo muito lento e rápido ao mesmo tempo, ditado pela velocidade do meu pulso e respiração, se é que eu respirava. Não me lembro. Tento parecer no controle agora, mas ela me possuía com uma força incrível, apesar de nunca ter me sentido mais livre na vida. Eu sentia alguma coisa me preencher, mas nunca poderia precisar se entrava pela buceta ou coração. Me sentia infinito e parecia que tudo que era e éramos e fomos tinha se diluído e sido incorporado na viscosidade dos meus fluídos. Ela entrava mais fundo e com a língua quente que nunca pedia descanso, apesar de a essa altura eu implorar por ele. Todos os meus órgãos pareciam estar em fogo junto com a língua dela, e esta, nunca parava. Até que aconteceu.

Foi forte e fez tremer até a última das minhas células. Todo o mundo fazia silêncio e ria e amava. Era tudo tão feliz e cheio de tudo mas vazio dele ao mesmo tempo, como naqueles desejos de Réveillon.

Foi quando acordei.

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