Estou sentada na areia, meu cabelo está sujo de alguns dias e preso em um coque bem alto. Fios dançam com o vento, pensamentos também. Só há cheiro de mar nos meus pulmões e eu quase me sinto genuinamente feliz.
Uma pessoa me disse isso ontem. Antes de ganhar todos aqueles arranhões e marcas roxas, alguém olhou com olhos muito brilhantes perto dos meus e disse que eu estava muito bem. Sorri e arrastei ou me deixei arrastar pra cama dela.
Eu não respondi aquilo, eu não poderia responder aquela pergunta.
Me assusta. Não importa onde ou quando ou quanto ou quem, mas o questionamento que persegue os de muito drama e olheira me apavora e eu quero fugir e eu fujo.
Aquela dor voltou. Maior e mais forte do que eu jamais poderia lembrar. Entre pensamentos e pontos finais eu vejo fins e parto na contra mão deles por medo.
Estou mais corajosa agora? Não poderia lembrar. Escondo os cortes como antes, julgo outros, critico, aponto os erros e ninguém beija o revés dos meus pulsos.
Tenho nojo do sangue e o banheiro é meu templo. Escorre lento e quente, não vivo, nunca vivo! Nada em mim poderia estar vivo agora.
Entro devagar e molho só os tornozelos. Seria fácil, poderia parecer acidente. Eu já tentei isso alguma vez? As tentativas não existem, alguém na minha cabeça é que responde. Revejo possibilidades. Eu já fiz esses planos antes?
Não escreveria carta alguma, nem me desculparia.
Amei o que pude e fui embora quando o amor virou menor que o seu semelhante, a dor.
Meu coração desata a bater e escuto tantas cobranças sobre a beleza, o sucesso, a lucidez, sobre ela mesma pessoa que me fala e que sentiria muito! Como eu não penso nisso?
Já pensei eu? Tento me lembrar que raíz foi essa tão grande que me cresceu antes e me fez firme até agora. Me sinto como flor de laranjeira no fim da primavera, pronta pra cair.
Não deve demorar muito agora
logo logo já é verão.
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