Deveria haver algum verbo que dissesse da saudade que sinto dos seus olhos úmidos em noites de inverno, cujos graus adoeciam meus poros, minha língua, e meu ar inspirado. Algo do tipo “precisodevocêaqui” mas com a terminação em “ar”, como se todo o meu ar, de fato, fosse o final das palavras reveladas a você. Como se eu te emprestasse as válvulas do meu peito aberto e proferisse, sem receios, que a vida só ficava mais bonita quando nós beijávamos a ponta do infinito e abríamos os olhos para enxergar o pecado real da humanidade, que consistia nas pequenezas da vida cotidiana, nos dias que não passavam, nas manhãs atordoadas de pessoas que pesavam e que precisavam de paz. Sem medo nenhum de te contar, sussurrando, que nos livros de tarô não havia rosto tão bonito quanto o teu e que teus pés, mesmo que errantes, guiavam qualquer mapa-astral, sendo ruins ou muito ruins. Dizer que já havia procurado em todos os cantos das esquinas mas que não tinha encontrado alguém com uma luz imensa, uma luz que ecoava daqui até o sul, até o norte, até o outro lado do planeta e que seu eu caçasse um pouco mais, não acharia nada comparado ao seu riso que parece um hino nacional cantado por milhões de vozes dentro de algum espaço feliz. Deveria conter alguma palavra que explicitasse o quanto sinto falta, ausência, vazio, quando você não está e a viagem no ônibus torna-se cansativa, e as músicas ficam chatas e eu nem quero mais resolver problemas matemáticos, não só porque não sei como também porque não gosto de nada que subtrai ou multiplica - ou adia, ou retrocede. Prefiro o agora cru, socando minha cara e me desestabilizando, prefiro a morte dura das coisas que foram e abandonaram, das pessoas que só deixaram fotos e dias chuvosos na lembrança. Nada do que vai pra sempre fica tão explícito quando grito teu nome e me perco entre tantas palavras, entretantas e tantas falas absurdas de verbos que gostaria que existissem só para conter todo este grito, esta dor que não mostro a ninguém, este abismo que diz que você não volta, e que tudo foi um engano com gosto de verdade. Se te parece loucura, vê escuta e reage a isso, replica meu verbo, meu pronome possessivo e minha fala usurpadora no mundo.
Com Amor.
Sempre sua,
M.
Nenhum comentário:
Postar um comentário