Estou sentada na areia, meu cabelo está sujo de alguns dias e preso em um coque bem alto. Fios dançam com o vento, pensamentos também. Só há cheiro de mar nos meus pulmões e eu quase me sinto genuinamente feliz.
Uma pessoa me disse isso ontem. Antes de ganhar todos aqueles arranhões e marcas roxas, alguém olhou com olhos muito brilhantes perto dos meus e disse que eu estava muito bem. Sorri e arrastei ou me deixei arrastar pra cama dela.
Eu não respondi aquilo, eu não poderia responder aquela pergunta.
Me assusta. Não importa onde ou quando ou quanto ou quem, mas o questionamento que persegue os de muito drama e olheira me apavora e eu quero fugir e eu fujo.
Aquela dor voltou. Maior e mais forte do que eu jamais poderia lembrar. Entre pensamentos e pontos finais eu vejo fins e parto na contra mão deles por medo.
Estou mais corajosa agora? Não poderia lembrar. Escondo os cortes como antes, julgo outros, critico, aponto os erros e ninguém beija o revés dos meus pulsos.
Tenho nojo do sangue e o banheiro é meu templo. Escorre lento e quente, não vivo, nunca vivo! Nada em mim poderia estar vivo agora.
Entro devagar e molho só os tornozelos. Seria fácil, poderia parecer acidente. Eu já tentei isso alguma vez? As tentativas não existem, alguém na minha cabeça é que responde. Revejo possibilidades. Eu já fiz esses planos antes?
Não escreveria carta alguma, nem me desculparia.
Amei o que pude e fui embora quando o amor virou menor que o seu semelhante, a dor.
Meu coração desata a bater e escuto tantas cobranças sobre a beleza, o sucesso, a lucidez, sobre ela mesma pessoa que me fala e que sentiria muito! Como eu não penso nisso?
Já pensei eu? Tento me lembrar que raíz foi essa tão grande que me cresceu antes e me fez firme até agora. Me sinto como flor de laranjeira no fim da primavera, pronta pra cair.
Não deve demorar muito agora
logo logo já é verão.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Nudez
Deveria haver algum verbo que dissesse da saudade que sinto dos seus olhos úmidos em noites de inverno, cujos graus adoeciam meus poros, minha língua, e meu ar inspirado. Algo do tipo “precisodevocêaqui” mas com a terminação em “ar”, como se todo o meu ar, de fato, fosse o final das palavras reveladas a você. Como se eu te emprestasse as válvulas do meu peito aberto e proferisse, sem receios, que a vida só ficava mais bonita quando nós beijávamos a ponta do infinito e abríamos os olhos para enxergar o pecado real da humanidade, que consistia nas pequenezas da vida cotidiana, nos dias que não passavam, nas manhãs atordoadas de pessoas que pesavam e que precisavam de paz. Sem medo nenhum de te contar, sussurrando, que nos livros de tarô não havia rosto tão bonito quanto o teu e que teus pés, mesmo que errantes, guiavam qualquer mapa-astral, sendo ruins ou muito ruins. Dizer que já havia procurado em todos os cantos das esquinas mas que não tinha encontrado alguém com uma luz imensa, uma luz que ecoava daqui até o sul, até o norte, até o outro lado do planeta e que seu eu caçasse um pouco mais, não acharia nada comparado ao seu riso que parece um hino nacional cantado por milhões de vozes dentro de algum espaço feliz. Deveria conter alguma palavra que explicitasse o quanto sinto falta, ausência, vazio, quando você não está e a viagem no ônibus torna-se cansativa, e as músicas ficam chatas e eu nem quero mais resolver problemas matemáticos, não só porque não sei como também porque não gosto de nada que subtrai ou multiplica - ou adia, ou retrocede. Prefiro o agora cru, socando minha cara e me desestabilizando, prefiro a morte dura das coisas que foram e abandonaram, das pessoas que só deixaram fotos e dias chuvosos na lembrança. Nada do que vai pra sempre fica tão explícito quando grito teu nome e me perco entre tantas palavras, entretantas e tantas falas absurdas de verbos que gostaria que existissem só para conter todo este grito, esta dor que não mostro a ninguém, este abismo que diz que você não volta, e que tudo foi um engano com gosto de verdade. Se te parece loucura, vê escuta e reage a isso, replica meu verbo, meu pronome possessivo e minha fala usurpadora no mundo.
Com Amor.
Sempre sua,
M.
Com Amor.
Sempre sua,
M.
domingo, 17 de novembro de 2013
Estou olhando da janela que usávamos pra olhar o céu mas nem lua, nem cama, nem eu, nem a pessoa ao meu lado são iguais. A janela ainda é.
A menina ao meu lado chora e eu também tenho os olhos um pouco borrados, mas o céu ta lindo e isso de algum jeito me levou pro seu lado.
Gostaria de te encontrar pra dizer que todas essas coisas não são mais as mesmas, mas acho que você já sabe e agradece por isso, e de alguma forma todo esse encadeamento de pensamentos me deixa triste. Volto a chorar e ela me olha curiosa, reviro os olhos e encontro o céu.
Gostaria de te encontrar, não esses encontros casuais de comprimentos por sobrancelhas ou um sorriso despretensioso e esforço de Hércules pra continuar qualquer conversa e fingir que não te vi.
Gostaria de te encontrar pra que num abraço real meu coração encontrasse seu par e voltasse a ter qualquer batimento e calor que a muito me abandonou.
Gostaria de te encontrar porque olhar pra você é como chegar em casa, e eu ando muito cansada de dormir em qualquer lugar que pareça confortável, pra dormir ou destruir.
Gostaria de te encontrar não pra dizer nada e até pra dizer, mas pra poder não dizer, sem que pareça problema ou tenha problema ou seja problema.
Volto a olhar pro céu, e a menina já parou de chorar e eu não percebi nem porque nem quando.
Volto a olhar pro céu e eu gostaria de te encontrar pra dizer que a janela ainda é igual, a minha saudade e amor também.
Sempre sua,
M.
A menina ao meu lado chora e eu também tenho os olhos um pouco borrados, mas o céu ta lindo e isso de algum jeito me levou pro seu lado.
Gostaria de te encontrar pra dizer que todas essas coisas não são mais as mesmas, mas acho que você já sabe e agradece por isso, e de alguma forma todo esse encadeamento de pensamentos me deixa triste. Volto a chorar e ela me olha curiosa, reviro os olhos e encontro o céu.
Gostaria de te encontrar, não esses encontros casuais de comprimentos por sobrancelhas ou um sorriso despretensioso e esforço de Hércules pra continuar qualquer conversa e fingir que não te vi.
Gostaria de te encontrar pra que num abraço real meu coração encontrasse seu par e voltasse a ter qualquer batimento e calor que a muito me abandonou.
Gostaria de te encontrar porque olhar pra você é como chegar em casa, e eu ando muito cansada de dormir em qualquer lugar que pareça confortável, pra dormir ou destruir.
Gostaria de te encontrar não pra dizer nada e até pra dizer, mas pra poder não dizer, sem que pareça problema ou tenha problema ou seja problema.
Volto a olhar pro céu, e a menina já parou de chorar e eu não percebi nem porque nem quando.
Volto a olhar pro céu e eu gostaria de te encontrar pra dizer que a janela ainda é igual, a minha saudade e amor também.
Sempre sua,
M.
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