Ontem logo depois dos meus versos de amor escrito em preto e cimento eu senti uma tontura, daquelas que faz eu parecer a bela adormecida, acordei umas horas depois sem saber também como tinha parado lá, tinha uma moça do meu lado, não "ao" só "do" mesmo, ela me olhou com aqueles olhos misturando pena e carinho. Algum tempo depois ela estava com as duas pernas muito abertas numa posição que me deixava sem ar e isso me deixou triste. Levantei e fumei olhando pro céu. Você viu a lua de ontem? A fumaça do meu cigarro dançou com o ar e algumas lágrimas saltaram sem controle de dentro de mim.Tenho bebido muito e tentado ao máximo ficar fora de tudo que é nosso, seu, eu. Tenho conseguido, não muito bem. Não tem sido fácil te esquecer, mesmo leve e desprendido, algumas imagens me vem à cabeça. Você perdendo o biquíni no meio do mar, seus cabelos molhados e cheios de sal cobrindo seu rosto desesperado. Quando subia nas cadeiras para alcançar os objetos nos armários. Quando ralou o joelho ao cair da bicicleta. Eu só lembro de ter a certeza de que me amava quando precisava de mim. Eu caí no erro de achar que só se ama uma vez na vida. E aí eu te amei por uma vida inteira. Me desesperei, quase entrei em colapso. Os prazos se acumulando na mesa e você me dizendo que estava de partida da minha vida. Vida da qual achei que até eu queria sair. Eu joguei, muitas vezes, para cima de você o peso das suas próprias palavras. Antes, sem nem saber que as palavras não tem peso. São entes leves. O peso é o que está na gente. Eu te cobrei o número de vezes que repetiu "para sempre". E só depois fui perceber que a eternidade está no coração de quem sente. Foi o que deveria ser - e assim são todas as coisas. Parei o coração. No meio das recordações. No meio do, que virou nada. Te vi ser borboleta e te vi voar de mim para bem longe. Me vi ser raio de sol, no maior esforço para atravessar e tornar translúcidas as folhas, e voltar para mim. Ali, eu fui tão maior. Fui tão eu. E eu é uma palavra tão pequena para o ser. O eu é uma palavra tão pequena pra o que sou. Ainda que agora, desde o começo, isso não seja necessário já que vai assinado logo abaixo que eu continuo sua.
Sempre,
M.
Nenhum comentário:
Postar um comentário