sábado, 4 de agosto de 2012

Democracia



Compromissos assumi. Pesos que não eram meus comprei, só para suar ao carregá-los. Expectativas criaram. Equilibrando a falsa humildade das consequências com o desespero de não saber o que escolher e sempre escolher e sempre pegar o pior caminho, sem que esse seja o mais nobre.
Já estive sozinha antes, não estive? Não consigo me lembrar de quando estive mesmo acompanhada, varro as memórias, mas não me lembro.
- E que dor é essa? Ela sempre me pergunta naquele tom surpreso. Moça bem sucedida e feliz, de sapatilhas tão simples e cabelos chateados, cacheados.
Existem outras tão mais infelizes e sozinhas e de uma solidão de estapear a cara e me fazer tentar ajeitar meu caminho. Que caminho? Conversas longas e com lágrima de canto de olho, muito salgada tão salgada, de tanto tempo sem chorar. Eu estava feliz, não estava? Também não consigo me lembrar. O fim só cumpre o seu papel de acabar, mas acabar o que? Se de certo começou não foi certo, era regresso e nem o rio nem o nadador podem ser os mesmos. Mas e se eu for escalando as pedras? E se ao invés de nadar eu caminhar pelo leito? Hoje os meus joelhos tão ralados e meu corpo tão enrugado pela água fazem essa minha coragem infantil parecer piada – e de fato ser. Não, o fim não tem culpa, ele só cumpre o seu papel, triste é o começo.